domingo, 26 de agosto de 2018

Você se conhece?


Você se conhece?

Imagem: http://www.nova-acropole.org.br/event/como-e-onde-conhecer-a-si-mesmo

Há alguns dias atrás, fiz uma enquete no meu Instagram, para saber das pessoas se elas acham que a gente precisa se conhecer como pessoa ou se precisamos admitir que mudamos constantemente dia após dia. Bem, antes disso vou abrir um parêntese e falar da enquete. Gente da minha vida, pesquisador precisa de respondentes! Conhecimento, conclusões, muitas vezes só são extraídas questionando! Então sempre que alguém te enviar o questionário por e-mail, te abordar em um supermercado com uma listinha de perguntas (observação 1: já me aconteceu isso), quiser te entrevistar, ou mesmo fazer uma enquete a fim levantar algum questionamento, por mais “bobinho” que pareça: não ignore! Todos eles em seus diversos âmbitos e linhas de pesquisa, são pesquisadores e que uma maneira ou de outra querem produzir conhecimento. RESPONDAM!
Ok, voltando ao foco inicial da conversa, minha indagação ao meu público seguidor no Instagram (observação 2: kkkkkk) era a seguinte: é importante nos conhecermos a fundo? E as opções de respostas eram: “Sim, é preciso” e “Não, mudamos sempre e todo dia” (observação 3: instagram, por favor, providencie enquetes com mais opções de respostas, obrigada).
De primeiro impacto confesso que a minha resposta ao meu próprio questionamento era: “Óbvio, precisamos nos conhecer, saber o que gostamos, o que não gostamos, o que queremos de meta de vida, porque afinal a vida e o mundo com essa enxurrada de oportunidades nos confunde e é muito fácil ficar confuso. Pois então, precisamos nos conhecer a fundo realmente para não nos perder”.
Mas, porém, contudo, todavia e entretanto, a leitura do livro “A sutil arte de ligar o foda-se” de Mark Manson, propõe uma discussão bem válida (observação 4: que me confundiu também), cuja resposta ao questionamento nos conduz a: “Não, mudamos todo dia e logo, portanto, não nos conhecemos”.
Tá, tudo bem, sem confusão, vamos aos fatos: aprendemos que a viagem do auto-conhecimento é extremamente necessária desde a escolha da profissão, do cardápio no restaurante, do esporte que se queria participar, até a pessoas que convivem conosco e ao que vamos viver com ela. Viver é uma escolha e cada escolha é uma renúncia, tão logo se vamos escolher uma coisa e renunciar a outra, é conveniente que saibamos o que queremos, gostamos e claro, o que não queremos e não gostamos.
Manson, menciona no quarto capítulo do livro, a Lei de Evasão de Manson. Nesse ponto livro o autor discute que estamos errados em tudo, inclusive ele e cita a lei que argumenta: “quando mais alguma coisa ameaça sua identidade, mais você a evitará”. Concordo que a ideia de que estamos errados diante de tudo é meio radical, no entanto, a proposta de que tudo de nos tira da acomodação, nos ameace, é o que mais evitamos, de fato é questionadora.
A retórica do autor sobre a lei, traz exemplos como, ganhar milhões na loteria ameaça sua identidade na mesma proporção que cair na miséria, ou seja, isso trará tantas mudanças que afetará você de forma vertiginosa em ambas as situações. Tudo bem, que a gente não escolhe cair na miséria ou ganhar na loteria, mas podemos adiar ou protelar projetos, temendo o fracasso e pasmem vocês, também o sucesso.
Erroneamente, atribuímos o nosso sucesso de alguma tarefa, missão ou vida a sermos aceitos, amados, idolatrados, seguidos e talvez, seja muito por isso que evitamos tais situações, que poderiam de fato mudar a nossa vida positivamente, pois o fracasso de não nos sentirmos seguros diante da vida e principalmente das pessoas nos atormenta (observação 5: nesta conversa nem vamos entrar no mérito “dos outros”, pois o que os outros pensam é problema deles e o julgamento deles vem com o que eles sabem, conhecem e viveram, vamos deixar isso pra outra hora).
Pois então meus caros, é aí que a coisa engrossa. Pois só admitimos crescimento, sucesso, glórias, confetes, somente quando somos efetivos e obtemos sucesso na tarefa, se fracassamos, logo, somos fracassados, não amados, incompetentes, ridicularizados e não aceitos (observação 6: o não aceitos é exagerado, mas vou deixar aí) e portanto, evitamos situações as quais são estranhas a nós e que não se ligue ao nosso jeito de ser: me conheço, não vai dar certo, vou fracassar e blá blá blá.
Se admito que eu sou um ser mutante, que se transforma, ou seja que lá no fundo eu não me conheço, eu me abro para o novo, para o desafio; entendo que o novo é libertador e que se eu errar tudo bem, porque se eu for um fracasso pelo menos eu tentei e que se der “bode”, eu começo de novo e “boa”. A partir deste ponto de vista do autor, o trabalho do autoconhecimento, o esforço do se conhecer e se encontrar é desnecessário, pois do contrário, viver em um estado de constante descoberta nos permite ser mais humilde nos julgamentos e na aceitação das diferenças.
Buda cita que quanto mais nos definimos mais nos aprisionamos, pois nos limitamos aquilo que entendemos de nós, é igual se apegar a astrologia: tudo bem que eu tenho muito das características de um capricorniano, porém moldar suas atitudes por regrinhas do mundo astral, não rola. Concordo com o ponto de vista de Manson e de Buda, no entanto, acredito que o autoconhecimento não é negativo e o se admitir mutante, também não, ao meu ver ter uma visão 8 e 80, também pode ser limitada.
De fato, passamos a nossa vida sem entender muito bem o que estamos fazendo (observação 7: a maioria das coisas), aprendemos pelos acertos e muito mais pelos erros, no entanto, quando erramos temos o costume de nos fechar a fim de entender o erro e não mais repeti-lo, num esforço de conhecimento. Acredito que esse é o rumo, precisamos nos conhecer sim, porém não nos limitar, entender que a vida é um mar de possibilidades e de oportunidades e principalmente que convivemos com pessoas, que também tem medos e querem acertar a todo modo.
Acompanhamos o tempo todo nas redes sociais, pessoas que se encontraram, se descobriram, entenderam sua missão, com o tempo e com a vivência que tiveram; para mim, essas pessoas passaram por um processo de conhecer-se para que através das experiências e dos filtros que a vida lhes deu, encontrassem o que de fato as fazia feliz e isso não tem nada a ver com ser aceito e idolatrado, mas tem a ver com o bem estar em si e perceber honesto com o mundo.
Não devemos ter uma visão limitada do mundo, mas principalmente não devemos ter uma visão limitada de nós mesmos, o exercício do autoconhecimento nos permite olhar para trás e perceber o quanto mudamos ao longo do tempo, o quanto já fizemos coisas que gostamos e que não gostamos, por não entender de fato o que estávamos fazendo. A melhor parte de tudo isso é perceber que crescemos e estamos melhores, a pior parte é entender que ao fazer isso compartilhamos nossas vidas com pessoas, que nos ajudam a crescer ou nos limitam e que nós permitimos crescer ou as limitamos.
Pois bem senhores, a vida é um mistério, no entanto, é pra ser vivida, errada, acertada, vibrada, amada e jamais negada! Então: segue o baile e beijo me liga!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Feliz 2018

Vem chegando ao final o incrível e surpreendente 2017, me desculpem a ironia, mas, gostaram da descrição? Tenho fama por aí de ser realista demais, pra não dizer pessimista, o que seria uma inverdade, mas o inesperado 2017, se findou.
E ao longo dos anos da Voo Livre, (sem acento depois no último Acordo Ortográfico), seja no saudoso Jornal Liberal aqui de Realeza ou no Jornal Igaçaba de Roque Gonzales – RS, sempre aos finais de ano eu, novamente me atrevia a falar (escrever) sobre os planos e resoluções para o novo ano que se aproximava. Por um momento pensei até em  voltar as minhas caixas de e-mails enviados e relê-las para ver o que encontraria lá, mas como a ideia é recomeçar deixei pra lá, afinal o que estaria nas entrelinhas seria basicamente, faça planos mas saiba viver o que virá, pois a vida é pra ser vivida.
No entanto, quem acompanhava minhas crônicas daquela época, (muito embora eu goste de chamá-las de escritos, pois não lhes imponho um rigor tão literário), espera que a mensagem final deste ‘amontoado de palavras’ seja diferente das anteriores, sinto informá-lo que não será. Talvez, o enredo que envolva toda esta discussão seja de fato diferente do que norteava as mensagens anteriores (até porque meus caros, as experiências nos mudam), mas a ideia final é exatamente esta: a vida é pra ser vivida.
E refletindo sobre o findar do ano, recordei da história do filme ‘Before We Go’, ‘Antes do Adeus’, na tradução brasileira, um filme do belo e talentoso Chris Evans, estrelado também por ele e por Alice Eve, que assisti dias atrás e cujo final me chamou muito a atenção. O drama conta a história da garota Brooke que após ser assaltada, perde o trem que a levaria de volta a Boston e permitiria que ela impedisse o seu noivo de ler uma carta deixada por ela terminando o noivado, em função de uma traição por ela descoberta. Na correria para pegar o trem Brooke perde seu celular literalmente nos pés de Nick, um jovem saxofonista, ex-estudante de medicina, que sofre por um antigo amor que o deixou e tem uma audição no dia seguinte para entrar em uma famosa banda de jazz.
Na trama do filme, ao perder o trem, Brooke se desespera e se assusta ao deparar-se com um estranho que não tem nada a perder e resolve, em plena madrugada, ajudar a moça a encontrar a sua bolsa na grande Nova Iorque e a auxilia a retornar a sua cidade. Durante a madrugada, eles percorrem a cidade, se conhecem, partilham segredos, receios e aspirações, o que segundo a própria ficha técnica do filme diz, permite com que criem laços improváveis que mudarão suas vidas para sempre e o que de fato acontece. Nas aventuras da madrugada dos desconhecidos, Brooke percebe que mesmo se sendo traída, se sente amada e ama seu noivo, por isso decide voltar e acertar os ponteiros com ele e Nick, compreende que não precisa mais ser o cara que a ex sonhava que ele fosse, até porque, mesmo com um almoço marcado para o outro dia com ela e o seu noivo, ele percebe que não pode ir, porque a vida continua e muitas coisas devem ser deixadas pra trás.
O intrigante do filme, porém é que, ao amanhecer depois de toda a reflexão da madrugada, Nick e Brooke descobrem o que precisam fazer para que suas vidas tomem seus rumos e siga adiante e assim o filme termina. Sim, muitos ficariam frustrados e decepcionados de assistir o filme e não ver Brooke se reconciliar com o noivo ou brigar com ele e nem Nick fazer sua audição para entrar na banda e não sabe se ele talvez foi ou não ao almoço com a ex e o seu noivo. Confesso, que antigamente, eu ficaria frustrada e provavelmente xingaria a televisão por isso, mas assim como Brooke e Nick entenderam, devemos também entender que a vida segue e não tem um final e muito menos um feliz pra sempre. Nossas histórias, assim como a de Brooke e Nick, continuam com novos cenários e personagens, no entanto, parece que insistimos em ter finais para termos recomeços.
E é isso que nos acontece todos os finais de ano, os mais realistas de plantão, para não dizer pessimistas (e nesse caso, eu não me incluo no exemplo), sempre acrescentam que é impossível que no dia 31 de Dezembro, as 23h59, você seja uma pessoa e como em um passe de mágica, no dia 01 de Janeiro, as 00h01, você seja outra, afinal, não sabemos como a vida vai seguir, no entanto, temos esperança e isso quem nós dá são os finais. Esperança em recomeçar. Esperança sim em mudar, em ser melhor. Esperança de que encontremos em nosso caminho Nicks e Brookes, que nos proporcionem experiências que permitam conhecer inúmeros sentimentos, como: amizade, amor, decepção, raiva, frustração, perdão, que de fato, nos possibilitarão uma vida melhor pra ser vivida. Esperança nas pessoas, na reciprocidade, na verdade. Esperança que nos importemos com o que e quem de fato vale a pena. Esperança nas voltas que o mundo dá. Esperança e fé na vida.
De fato, eis que finda 2017, (graças a Deus, me permitam registrar), eis que chega 2018 e eis que o exame de consciência por tudo que passou é inevitável. Bem como também é inevitável que mantenhamos viva a esperança de um ano mais pleno e de paz, cujos planos se norteiem em viver tudo o que se há pra viver, todos os sentimentos, em todas as intensidades para que não haja nenhum arrependimento ou dúvida do que se viveu. Se for pra amar, que ame até tremer de nervoso. Se for pra doer, que doa até esgotar todas as lágrimas dos olhos. Se for valer a pena, que traga todos os sentimentos e que estes inundem a mente e o coração, só que não seja pouca coisa. Eis que se finda 2017, precisamos finais para termos recomeços, só não podemos perder o foco de que por mais que existam finais, a vida continua e o que está nos ‘esperando’ lá na frente, nos tornará muito melhores.

Ah, e antes que me perguntem, qual a minha resolução de 2018? Bom, minha resolução de ano novo é não ter nenhuma resolução, só tenho a esperança de ter um feliz 2018!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Faz tempo


Me assustei de tanto tempo passado após minha última postagem. Na verdade, tenho me assustado de muita coisa nos últimos dias de coisas que não faço mais, ou deixei de fazer. O pior que a própria constatação é que essas coisas que deixei de fazer, todas eu gostava de fazer.
Ler um livro, escrever sobre os sentimentos sentidos, ouvir música fazendo uma boa caminhada, sentar ao sol em um dia frio e sentir o calor dos raios penetrando pela pele. Saborear um brigadeiro, fazer as coisas pensando somente no agora e não em tudo o que se tem pra fazer amanhã.
Poderia fazer uma análise sobre maturidade, que a gente vai ficando velho mesmo, fazendo outras escolhas e a vida adulta é uma correria e exige isso, mas... Acredito eu, que todas as nossas escolhas deveriam ser feitas a fim de priorizar nossa vida e de fato nos deixarmos mais plenos, realizados e... felizes!
E será que estamos realmente felizes? Não esperem respostas como nas antigas crônicas, pois atualmente estou mais fazendo perguntas do que encontrando respostas. É só mesmo uma reflexão (porque eu quis e não porque eu li que é bom para controlar a ansiedade), a fim de verificar o porquê de ás vezes, tantos porquês na mente.

Poxa, e de tanto me assustar, me assustei mais uma vez de ver que perdi minha linguagem poética para a engessada linguagem acadêmica. Acho melhor parar por aqui antes que isso vire um artigo científico e eu me assuste de aprovar em uma revista B2. Até a próxima e eu espero que não me assuste ser muito tempo depois.


sábado, 26 de outubro de 2013

Sobre Amizade


- Pollyanna, já foi consultar?
- Nãoooo Mayara! E pare de gritar!
- Não paro, porque com você não tem outro jeito de falar. E eu vou continuar falando até você ir.
            E realmente, ela não descansou até eu ir. Ela e mais algumas importantes pessoas que me rodeiam e que merecem o título de amigos, conseguiram me aguentar dias atrás e sustentar nesta difícil caminhada que se chama vida, realmente importando-se com minha saúde.
            Mário Quintana disse uma vez: “amizade é o amor que nunca morre” e de fato é porque amigos se suportam em meio há muitas adversidades, conhecem realmente como nós somos e principalmente como devem lidar, pois tem muita coisa nessa vida que depois de passado certo tempo, não se muda. Uma delas é nossa forma de pensar e agir.
            Pensando sobre a importância que os amigos tem em nossas vidas, lembrei dos conceitos de Aristóteles sobre a amizade. Em dois de seus livros, ele fala que a amizade é uma virtude extremamente necessária a vida. Segundo o filósofo, ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que dispusesse de todos os outros bens, e até mesmo pensamos que os ricos, os que ocupam altos cargos, e os que detêm o poder são os que mais precisam de amigos; de fato, de que serviria tanta prosperidade sem a oportunidade de fazer o bem, se este se manifesta sobre tudo e em sua mais louvável forma em relação aos amigos?”
            Para seu discípulo Platão, a amizade pode ser classificada em três tipos diferentes: (1) a amizade segundo o prazer, que se fomenta em mantê-la em função de que é agradável em um para o outro. Muitos mantém amizade não por causa do caráter, mas pelo bem que as pessoas podem proporcionar. A amizade segundo a utilidade (2) que é estabelecida pelo bem que uma pode receber da outra e ainda amizade segundo a virtude (3) só se estabelece por homens que são bons e semelhantes na virtude porque tais pessoas desejam o bem umas as outras de modo idêntico e são bons em si mesmos, e segundo Platão amizades assim são raras. E sabe o por quê? Porque geralmente as amizades que existem são por prazer ou por utilidade e são efêmeras e passageiras, quando deixa de ser útil ela acaba e nos deparamos com esse tipo de amizade por inúmeros períodos de nossas vidas.
            Aristóteles fala da amizade pela virtude como uma amizade perfeita, pois nela cada um recebe do outro o mesmo que dá ou algo semelhante: amor, carinho, ternura, afeto, ajuda, preocupação, compreensão. Talvez seja isso que nos mantenham amigos de certas pessoas a vida inteira, pois elas nos conhecem exatamente como somos e por nos conhecer sabem que receberão o mesmo que ofereceram. E talvez, também seja por isso, que mesmo em situações muito adversas, fizemos amigos muito rapidamente e sabemos que aquela amizade vai durar a vida inteira, não impedindo nem que tempo e espaço atrapalhem. Sim: tempo, espaço, gritos, berros, torrações de saco, piadas sem graça, músicas chatas, mensagens de madrugada, apelidos carinhosos, beliscões, mordidas, entre outros detalhes que alimentam uma bela amizade. Porque não existe nada melhor, do que estar entre amigos.


Pollyanna Gracy Wronski agradece aos amigos de virtude que a rodearam nos últimos dias e decidiu que vai comprar uma BMW pra agradar a Mayara. 

domingo, 20 de outubro de 2013

Relaxa e Abstrai

Depois de um mês cheio de tarefas, com cabeça lotada de atividades e compromissos, resolvi iniciar um mês diferente, com coisas que estavam fora da minha rotina diária e que de alguma forma me fizessem bem e que eu realmente gostasse de fazer.
         Dentre as coisas que resolvi retomar, foi caminhar ao ar livre. Aí vocês devem pensar, claro, verão chegando, esse é o motivo. Também, praticar exercícios físicos é fundamental em todas as estações do ano, mas a minha intenção maior era ficar sozinha com meus pensamentos. Enfurnada na correria de todo dia, com muitas coisas pra pensar e resolver, acabamos pensando em quase tudo, menos em nós mesmos.
Imagino que assim como eu fiz, milhões de pessoas sentem, que em determinado momento é preciso parar e inclusive parar de pensar. Não, queridos, não parar literalmente, entretanto, em alguns momentos da vida, entramos em umas linhas de raciocínio, que não encontramos respostas, que não entendemos e que achamos que ninguém nos entende. Bem, quando normalmente chegamos a este ponto, dificilmente alguém irá mesmo nos entender, então parar é necessário.
Neste caminhar, entre ruas, carros passando e as minhas músicas preferindo a embalar meu andar, no auge destes pensamentos confusos, cheguei a conclusão que existem coisas que realmente não precisamos entender e que principalmente ninguém irá entender como chegamos até lá. E este estado de espírito, já literalmente definido como “sei lá”, que é o ponto que nem ao menos conseguimos contextualizar as nossas angústias, medos e aflições e o jeito é serenar, ou traduzindo para linguagem informal, o jeito é abstrair.
E nessa coisa de pensar em não pensar, compreendi também que existem coisas nessa vida bandida da gente que não precisam ser entendidas. Nem porque o céu é azul, nem porque certas coisas não acontecem com a gente, nem porque não fizemos o que queremos, nem porque valorizamos coisas e pessoas que não nos valorizam e ao contrário. Não, sai dessa vida. Chega um dado momento que serenar é o melhor, justamente porque, tentar entender tudo é chato, desperta a loucura e mata a sanidade, (me desculpem os filósofos neste momento, não seríamos nada sem vocês) todavia, admiti que relaxar pode não ser considerado displicência como por muito tempo pensei, mas trata-se de reogarnizar prioridades e de certa forma tirar mais tempo para viver.
Fácil, certamente nao será, porque dentre todas as batalhas que travamos durante toda a nossa vida, a pior certamente é aquela que temos com nós mesmos. Mas, depois de pensar, resolvi abstrair e me livrar das razões. Afinal, já que nossas verdades não são verdades absolutas, assim já que podemos não estar certos, não precisamos ter razões de tudo. Ter razão para tudo implica em seguir o que a sociedade impõe e isso, minha gente, nos amarra à vida e nos faz vítimas de nós mesmos. Nos tornamos nossos próprios inimigos, com regras internas, medos loucos e ansiedades vazias.
Tudo que acontece em nossas vidas é saudável e nos faz crescer: amor, amizade, carinho e principalmente, a falta deles, rejeição, e por mais que seja cruel, depende da forma que olhamos os fatos e da importância que damos a eles, porque muitas vezes eles não merecem nenhuma importância. Como dizem, se nem Jesus agradou todo mundo... nós não temos função disto!
Depois de tanto caminhar, percebi, que é legal tentarmos esclarecer dúvidas, ter foco e idealizar, mas tem tempos, que é melhor jogar tudo para o alto e aumentar o som do fone de ouvido, fazendo só aquilo que nos faz bem e nos aquieta os ânimos. Só lembrem-se, o inconsciente sempre nos vê por baixo das cortinas.

Pollyanna Gracy Wronski terminou este artigo e foi caminhar, ouvindo Coldplay.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

... coisas do meu tempo!


Há tempos que procurava ansiosamente por um box que contivesse todas as temporadas do seriado americano Friends, que foi exibido de 1994 a 2004 e que ainda hoje é recorde de audiência em canais de Tv por assinatura. Em um desses achados da internet, fui avisada de uma promoção e matei meu ávido desejo de compra pela coletânea.

Confesso que desde a decepção da visita aos estúdios da Tv Globo para a gravação do Programa do Jô e com a exceção de filmes locados e de jogos de futebol (menos Seleção Brasileira), não sou fã de nenhum programa de televisão e dificilmente pegam-me em frente a tv.

Entretanto, Friends fixa-me minha atenção e não é nada recente. Falando em preferências, em conversa em sala de professores, vejam só, colegas de profissão relatavam sobre a preferência de séries de tv, em sua maioria as séries “mais das antigas” e posteriormente ainda em outra ocasião falávamos de música e livros. Engraçado que, em meio a uma dessas conversas e trocas de músicas e filmes de um computador para outro, ouvi essa: “Sei que tu gosta de rock nacional, mais antigo, coisas do teu tempo.” Naquela hora, aquela frase pareceu não ter muito sentido e eu ri, fiz a tradicional piada: - “Ah, eu nem sou tão velha assim!” - mesmo porque o bom e velho rock nacional para mim é sempre atual), mas depois, em uma conjunção de acontecimentos, refleti a situação.

Normalmente, nos identificamos com pessoas, livros, músicas, filmes que vem ao encontro de nossos valores e da forma que fomos criados. Todavia, os tempos mudam, mas nem sempre os gostos mudam. Fato que, a cada década que passa nos deparamos com novidades em todos os setores de nossas vidas (inclusive, novidades nos relacionamentos) e muitas vezes não nos sentimos cômodos para adotar essas novidades em nosso cotidiano.

Em sala de aula, trabalhando o contexto de Revolução Industrial, trouxe aos alunos do filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin e ao anunciá-lo, fui criticada por 70% dos alunos da sala. Retruquei os alunos dizendo que apesar do filme ser mais velhinho, além de informativo, o filme era engraçadíssimo! Não deu outra, mesmo aqueles que já haviam visto o filme caíram na risada com as sequências suaves de Chaplin.

Coisas do meu tempo, sim, coisas do meu tempo, que adoro. Chaplin, Friends (Chandler, especificamente), Kid Abelha, Pequeno Príncipe, Engenheiros do Hawaii, Chaves, O Mundo de Sofia. Abraços, mãos, ouvidos. Proximidade sem intenções risadas, ternura, perdão, amizade, afeto.

Os tempos mudam e certas coisas são rotuladas como do nosso tempo e quem bom que assim são chamadas, porque ficam cada vez mais minhas e mais particulares, como meu mundo. Tudo bem que surgem as tais novidades, todavia se não sentimo-nos favoráveis a elas, tudo bem! De certas coisas, nem precisamos!

Passei grande parte de minhas férias, rindo com Chandler, Mônica, Ross, Rachel, Joey e Phoebe. Rindo das mesmas histórias, das mesma amizade, dos mesmos encontros e desencontros, dos antigos. Coisas das antigas, coisas do meu tempo.

 

Pollyanna Gracy Wronski é das antigas e Chandler é seu “friend” favorito.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

... foca e vai!

            Mais um início de ano. Momento em que voltamos o nosso olhar para nós mesmos e diante das situações em que vivemos, estabelecemos novos anseios, sonhos, metas e diretrizes para nortear nossa vida no ano que se inicia e de tão obstinados a tal situação voltamos totalmente nosso olhar para tais situações e descarregamos toda nossa energia em tais objetivos.

Foco. Esta é uma questão essencial para pessoas, empresas e instituições; funciona como um exército em guerra, que se luta em várias frentes pode ter suas forças dissapadas e perder, ou se concentra em uma estratégica pode ter chance de sair vitorioso.

Charles Baudoiun, fala da Lei da Atenção Concentrada, o Foco, que segundo ele é “quando uma pessoa foca a sua atenção para uma ideia, ela tente da se concretizar por ela mesma”, seja ela um ideia boa ou uma ideia má. Para tanto, em inícios de ano, o foco pode ser a diferença de sucesso e de fracasso.

Todavia, para entender benefícios e prejuízos do foco direcional, faz-se necessário a definição do que é uma inteligência multifocal ou uma inteligência com foco. A inteligência multifocal, segundo Howard Gardner, psicólogo de Harvard, é um conceito de inteligências múltiplas, que podem existir múltiplos focos e que uma pessoa pode focar em muitas coisas, pois conforme esta teoria existem sete tipos de inteligências: linguística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal.

Já a inteligência com foco essencial ou focada, vem de diferentes princípios, que dentre muitos, estes determinam que: é possível que uma pessoa possa focar em múltiplas coisas, mas não ao mesmo tempo; quando se tem um foco, a pessoa pode focar existem coisas importantes, mas em coisas sem valor e inadequadas; manter o foco é difícil, pois a dispersão da mente é uma tendência; é preciso saber o que focar e manter o foco, e ainda, é fundamental que se desenvolva o controle metal e emocional e o perceber no cotidiano, pois focar é uma das decisões mais importante para se chegar à excelência de resultados.

Assim, quando nos encontramos revigorados e ansiosos pela entrada de um novo ano, fazemos escolhas importantes em nossas vidas e decidimos por abandonar padrões antigos de vida e de comportamento, focando naquilo que definimos como objetivo principal naquele momento, é imprescindível que fiquemos atentos, porque uma pessoa ou organização focada em uma direção, pode se tornar incapaz de perceber mudanças, ameaças ou oportunidades, pois é possível que nos esqueçamos do mundo ao nosso redor e assim nao conseguimos perceber novas situações vantajosas para nós mesmos.

 Vale lembrar também de um ditado importante e muito usado dentro das organizações, que “não se pode colocar todos os ovos em uma única cesta”, pois é possível que se tenha um grande retorno, ou uma grande perca.

Foco, em síntese é insistência e persistência. A sociedade que vivemos nos oferece uma gama variada de oportunidades e experiências, cada uma com seus beneficios e desafios, vantagens e desvantagens. Muitas vezes, escolhemos caminhos mais pedregosos, mas que nos levarão a resultados realmente satisfatórios. Entretanto, quando fizemos escolhas e voltamos o nosso olhar para determinado anseio é preciso compreender que para escolha, temos uma renúncia e que nem sempre as nossas apostas ou sonhos podem se tornarem reais. Jacob Riis, citava que "quando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes sem que nem uma só rachadura apareça. No entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela a que conseguiu, mas todas as que vieram antes"

Desistir de coisas em função de outras, para persistir em um ideal, pode parecer um sinal de insanidade, mas também pode ser de lucidez. Tudo na vida importa em perceber, compreender, escolher, decidir e principalmente agir, concebendo que talvez a pedra demore para rachar,mas se estiver ciente, que mesmo rachada e arranhada ela pode conter um cristal em seu interior, vale a pena correr riscos. Bem vindo 2013, hora de focar em objetivos e ir adiante, mesmo nao sabendo onde vamos chegar, como vamos chegar e o que vai nos restar no final de tudo, pois mais importante do que o lugar da chegada é que, de fato, estamos indo para algum lugar. Foca e vai.

 

Pollyanna Gracy Wronski é professora de uma porção de coisas e em 2013 vai focar em aprender a ser feliz.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

De salto, com firmeza.


                Um dia nascemos e nascemos frágeis inseguros, desprotegidos e não sabemos andar. Aos poucos vamos crescendo, nos firmamos no colo da nossa mãe, somos firmes, em seus braços, nos reconhecemos no mundo, mas não temos nenhuma possibilidade de conquistar o mundo.

                Firmes de corpo, tímidos, gatinhamos pelas calçadas da vida. Nossos sentidos começam a aguçar a fim de querer conhecer o espaço que nos rodeia e ansiosos por quer conhecer o mundo, ousados a firmar os primeiros passos sozinhos. Entretanto, pequenos e sem conhecer o chão em que pisamos voltamos nossos braços para os braços da mãe, porque temos medo de caminhar e cair.

                Jovens, aprendemos a andar e achando que nossos passos estão firmes, desafiamos o caminho e tentamos correr, pé inteiro no chão, tênis nos pés e no coração a vontade de descobrir este mundo que fomos forçados a conhecer. Corremos e, descobridores, aumentamos a velocidade, experimentamos retas e curvas, grandes e pequenas distâncias. Asfalto, calçamento, estrada de chão, nossos pés ansiosos e curiosos, conquistam tudo: estradas, histórias, vitórias e derrotas.

                E depois de correr, conhecer, experimentar, descobrir e desafiar, conhecemos o caminho, sabemos onde pisar, como pisar e porque pisar e desta forma, ousados como somos e doutores de nossas vontades e anseios, subimos no salto. Do alto, vemos o caminho diferente, somos capazes de aguentar os calos que os calçados nos trazem, somos capazes de aguentar a dor do peso das pernas e a pressão do salto e pisamos firme, olhos ao horizonte, aprendemos a caminhar e não importa mais a queda, o caminho ou a velocidade, importa é que aprendemos a caminhar.

                É assim que me sinto hoje, feliz, de salto, sabendo bem andar e como andar, é o que a idade e somente a idade nos traz.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

... que venha 2013!


Último dia do ano. No pouco tempo que resta deste 2012, a maioria das pessoas para ou diminui o ritmo, só para pensar no que se passou e fazer aquele tradicional balanço das coisas que deram certo e das coisas que deram errado.

E avaliando nossas atitudes, ponderamos a entrada do novo ano e com ele tudo que de novo há por vir. Novas experiências, novos amigos, novos tempos.

Enfim, todo fim, traz um início e a vontade de fazer diferente, de fazer dar certo, de nunca mais cometer os velhos erros, de saber lidar o inesperado e de se surpreender a cada dia e talvez isto é o que mais tememos e o que mais desejamos na entrada de um novo ano.

Vivemos enfurnados em uma rotina, que nos faz reclamar do tédio e do marasmo de nossas vidas. Entretanto, quando nos deparamos com situações inusitadas que fazem-nos sair da acomodação, nos frustramos, principalmente quando essas situações diferentes nos conduzem para caminhos escuros, repletos de curvas e obstáculos que não sabemos contornar.

Isso é o novo, o inesperado, o inusitado e o que nos surpreende! Se escolhermos, ao findar de um ano, manter as mesmas atitudes a mesma postura, estaremos fadados ao mesmo, SEMPRE. Se é novo, pede ousadia, pede fazer diferente.

Hoje, discordo do poeta que pedia para a vida não mais o surpreender, somente não decepcionar. É no erro que aprendemos e só erramos, se ousamos, se tentamos fazer e ser diferentes.

Acredito, que a palavra que a palavra que deveria reger as nossas vidas é a mudança, visto que nada é estável nessa vida, nada é imutável, nada é pra sempre e o sempre, sempre acaba. Mudar, alterar, transfomar, fazer diferente e este para mim é o grande desafio da vida, surpreender de novo e a cada dia diferente. Provocar e sentir, nossos risos, sentimentos, emoções e sensações, porque o novo nos atrai e nos faz sempre ser melhores.

Taí, um novíssimo ano pra gente fazer tuuuuuuuuuuuuuuuuudo diferente e se surpreender a cada dia.

Feliz e diferente 2013!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Piloto automático?


Há alguns dias atrás, senti novamente, vontade de escrever. E quanto a vontade de escrever vem, ela vem de dentro e não surge simplesmente como uma obrigação. Escrever, para mim não consiste somente em uma obrigação de juntar um amontoado de palavras e organizá-las de uma forma que pareçam ter sentido. Mesmo porque escrever não se faz por obrigação e sim por necessidade de se revelar algo ou expressar um sentimento e, muitas vezes o que se escreve nem tem muito sentido.

Assim, para se escrever é preciso estar de certa forma preso por algum sentimento, alguma força, ou livre de toda e qualquer amarra da vida. No meu caso, cheguei a conclusão que a angústia recente foi substituída por um vazio, mas um vazio não depressivo e que este vazio, agora, vem sendo substituído por uma sincera esperança. De fato, se há esperança, há sentimento e se há sentimento não há mais vazio.

Por mais que eu conviva, por fases com esse “tal vazio”, eu tenho um medo danado deste “tal vazio”. O tal vazio na verdade, vem ligado com a ausência de planos de sonhos e de ambições. E não há nada mais frio, mais sem vida do que viver com a ausência de planos, sonhos e ambições. Parece que a vida é “ligada do automático” e esse piloto automático faz com que vivamos inertes sem termos controle de nossas vidas. E mais do que o ter medo do “tal vazio” é ter medo do “ligar no automático”.

Tudo bem, ai você me fala, mas “ligar no automático” nem pode ser assim tão ruim, porque pelo que sabemos em nossa vasta experiência em filmes de ação, quando os destemidos atores-heróis, ligam o avião no piloto automático, a máquina assume o controle e tudo está em plena tranquilidade.

É, de certa forma, eu posso até concordar, mas não há nada mais apático do que viver uma vida tranquila, onde não se tenha o controle desta própria vida. Hã?! Sim, se vocês pensam que uma vida de rotina, onde se acorda, trabalha, come e dorme mecanicamente é boa, pois eu digo, peguem esta vida para vocês.

Vemos hoje em dia, milhares de pessoas que seguem a razão dos seus pensamentos, que negligenciam seus sentimentos e em função de uma razão ou razões, que as fazem parar de sonhar!

Tudo bem olhe para trás e volte 10, 15 anos! Veja-se com essa idade e se recorde de quantos sonhos tinha, dos quais planos que traçou e que por algum motivo abandonou? Eu tenho, aos montes! Tudo bem também, que muitos deles eu substitui, mas muitos deles se perderam comigo no tempo. O sonho de ser jornalista e escritora, de ter um amor verdadeiro,  casar na igreja, de ter 3 filhos, de viajar cada ano para um local diferente todo ano, ter uma casa com piscina, de por silicone, fazer lipoaspiração, ser melhor com meus amigos.

Eu, com 11 anos, tinha todos os sonhos do mundo em minha vida. Carregava em minhas costas todas as esperanças de um futuro brilhante e hoje em dia, é difícil de carregar meia dúzia de problemas a resolver.

A vida é assim. Não, a vida nos torna assim: desiludidos e descrentes de sonhos. Os problemas que constantemente crescem frente aos nossos olhos, martelam a nossa cabeça e desorientam nosso coração e, como gato escaldado, fugimos de tudo aquilo que nos parece arriscado. Assim nos tornamos, pois nós decidimos o que fazemos da nossa vida.

Disse uma vez alguém, que eu não me lembro de quem, que uma vida sem riscos não merece ser vivida e eu acrescentaria que vida sem riscos, sem sonhos, sem ambições é uma vida “ligada no automático”, a qual não temos nenhum controle, onde na verdade não possuímos nenhum. Ou alguém acredita que pode controlar mente, corpo e coração o tempo todo? Nem a pau Juvenal, como diz uma expressão por aí sempre repetida. Nós escolhemos o que fazemos com nossos problemas, se os enfrentamos ou nos acovardamos diante deles. Nós escolhemos se resolvemos pagar pra ver e ir em busca dos sonhos, ou desistimos deles e paramos de sonhar. Nós que escolhemos negligenciar nossos sentimentos, ou afogá-los e esquece-los para sempre.

Há muito tempo estava levando uma vida no automático, acho que chegou a hora que arrebentar o tal botão e assumir o comando do avião da minha vida. Se cair e explodir, que se dane. Depois eu conserto e volto a sonhar e a voar e a escrever, porque voltou a ter sentido.

domingo, 9 de setembro de 2012

... sem sal? Põe pimenta! (Parte I)




         E as mentes brilhantes, aparecem cada vez em menor número. Os alunos notas 100, que se destacam, são cada vez mais escassos. Ideias brilhantes e revolucionárias, daqui alguns anos, vão deixar de existir. É a Síndrome da Apaticidade do Século XXI que contamina a população.
É fato, a cada dia que passa nos deparamos cada vez mais constantemente com a falta de atitude das pessoas. Confesso que ao esboçar o rascunho desta coluna, foquei na falta de atitude dos jovens, somada e misturada com a falta de ambição e de compromisso perante a vida, entretanto, decidi englobar todo mundo, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, porque o negócio está proliferado para todas as faixas etárias.
         Vivemos em um mundo altamente competitivo, estamos expostos diariamente a diversos tipos de pressões: no trabalho, na vida familiar, pessoal, de consumo, de ser bom, de ser vendável, de ser aceito. E por momentos acredito que esta exigência total, está obtendo um efeito contrário, porque ao invés de fomentar as pessoas, isto está apagando-as, deixando-as cada vez mais inertes frente ao que se tem que fazer.
Em uma palestra sobre Educação Financeira, ministrada pelo Sr Presidente do Sicredi, José César Wunsh, na Semana Acadêmica do CESREAL, uma questão levantada pelo também Professor foi: o que eu realmente quero? Naquele momento egoísta, olhei para mim e pensei em quais são as coisas que eu ainda quero conquistar e me senti muito feliz naquele momento ao perceber, que, são muitas as coisas as quais eu quero conquistar, mas que foram também muitas, as quais eu conquistei. Entretanto, voltei o olhar para tantas outras pessoas que às vezes possuem mais condições que eu tive, por exemplo, e que se mantém apáticas frente ao universo de conquistas e oportunidades que se tem na frente.
Por muitas vezes, questionei qual é a genialidade dos grandes nomes da nossa atualidade, se comparados aos grandes filósofos e cientistas de tempos passados. Há remotos tempos atrás, sem tecnologia digital ou mesmo formas de registros adequadas, revolucionaram ciência, matemática e as artes, somente com a vontade de descobrir e entender o porquê das coisas.
Intriga-me a atual situação, onde temos cada vez mais pessoas conformadas e cada vez menos envolvidas no que estão inseridas. O que falta? Oportunidade, conhecimento, vontade? Reclamamos quando vamos a um Restaurante e nos deparamos com uma comida sem sal. Entretanto, no nosso real cotidiano, jogar pimenta para ver as coisas acontecerem parece mais difícil do que apenas reclamar. Temperar é desgasta, claro, mas cadê atitude?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

... é tão estranho!


         Um dia ouvi em uma colação de grau, a seguinte frase: “as despedidas são necessárias para que haja os reencontros”. Naquele momento, achei que a frase era totalmente pertinente, porque colações de grau são momentos em que, felizes fechamos um ciclo e, inevitavelmente nos separamos de algumas pessoas para nos encontrarmos com outras.

         Entretanto, esta semana, lembrei-me desta frase, em uma despedida. Desta vez, ao contrário, não foi um momento feliz, onde se sabe que viveremos em nossas vidas momentos novos e que mais dia ou menos dia nos serão válidos e nos trarão felicidade. Recordei-me desta frase, em um ambiente triste e nostálgico, onde em meio a muitas lágrimas, muitos tentavam, sem sucesso, lembrar somente de momentos bons vividos ao lado de um amigo, de um primo, de um irmão, de um filho.

         Ali, foi uma despedida. Uma despedida, onde todos queriam acreditar que futuramente, haverá um reencontro, mas que esta realidade parecia distante e inconfortável.

         É difícil entender as surpresas que a vida nos prega. É difícil entender porque as despedidas precisam existir, principalmente, quando as pessoas que partem, são pessoas que fazem bem à alma de quem os rodeia, são aquelas que trazem risos aos nossos lábios e nos fazem perceber que em meio às tribulações, ser feliz é possível e necessário. Entretanto, mais difícil ainda é entender, que quem está no comando de tudo isso é um Deus amoroso, que nos quer o bem e que mesmo assim, tira esses seres do nosso meio.

         Junto com essa frase, comentários de “não dá para acreditar”, uma canção veio firme em minha memória: “é tão estranho, os bons morrem jovens, assim para ser, quando me lembro de você, que se foi, cedo demais”. Renato Russo, um poeta, cantou em Love in the afternoon, o quanto são de certa forma, injustas, as despedidas. Concordo com Renato, foi cedo demais, principalmente para quem dividia as horas do dia com risos, com sonhos e com pureza de quem só queria ser feliz.

         Entretanto, nós não podemos julgar e nem questionar as despedidas. Deus está no comando, quer que os sonhos sejam sonhados no presente, mas quer que entendamos que o futuro a ele pertence e quer ainda que compreendamos que é preciso viver plenamente, pois “cada sonho que você deixa para trás é um pedaço do futuro que deixa de existir”. Despedidas, mais que estranhas, são tristes e doem, mas precisamos manter no coração a certeza de que, um dia, os reencontros vão acontecer.

Saudades Rafa, suas brincadeiras e seu sorriso serão sempre visíveis em nossa mente.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

... faça algo que nunca fez!


Iniciou nesta última segunda-feira, a 4º Semana Empresarial da ACIAR – Associação Comercial e Empresarial de Realeza, que trouxe em seus dois primeiros dias duas interessantes palestras que falavam sobre o potencial de cada pessoa e sobre a administração do tempo.
Tais palestras abordaram assuntos de total relevância, certamente para todos os presentes e por mais que algumas abordagens, muitos já havia conhecimento, um novo ponto de vista demonstrado sempre abre novas visões. Desta forma, muitas célebres frases de autores e pensadores renomados, foram citadas nas palestras e uma que já havia lido me chamou a atenção: “Para obter alto que nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”.
A frase em questão é de Francisco Cândido Xavier, conhecido popularmente como Chico Xavier, que foi médium e o maior divulgador do Espiritismo no Brasil. Recebeu seu nome, em homenagem ao santo de seu dia de nascimento e foi aclamado como um dos maiores psicógrafos de todos os tempos.
Sua obra gira em torno de 400 livros e caracteriza Chico como um servidor humilde que, jamais recebeu direitos autorais de quaisquer deles. A simplicidade de Chico era percebida no respeito das demais crenças e a visualização dentro das suas, onde mostrou-se alguém obstinado a fazer algo diferente.
Trazendo para nossa realidade, diante da audácia de Chico, nos percebemos tapados e teimosos. Deparamos-nos diariamente com inúmeras situações que já nos são conhecidas e por outras inúmeras vezes acabamos cometendo os mesmos erros de sempre, recaindo no círculo vicioso da reclamação sem ação eficaz.
Convenhamos que, por muitas vezes, não temos “peito” suficiente para tomar aquela atitude que julgamos ousada demais, ou diferente demais, por receio de sair da zona de conforto e não saber como suportar os resultados que virão.
Meus caros, vivemos em um tempo de se acomodações. Contentamos-nos com o trabalho que não nos dá prazer, nas relações que vão esfriando, no coração que vai se fechando e quando olhamos a felicidade alheia, nos percebemos fogo ardente que se congelou diante da frieza e acomodada rotina.
Em menos de um segundo, olhamos para um passado nem tão remoto assim e nos visualizamos sonhadores, perspicazes e atrevidos e nos perguntamos: em que parte da nossa história nos perdemos no caminho? E não é difícil nos sentirmos desiludidos conosco mesmo. Retomamos nossa caminhada e aquelas outras situações voltam e temos a chance de fazer diferente. E muitas vezes não fizemos.
A filosofia de Chico Xavier, nos faz perceber que somos agentes de nosso próprio destino. Como críticos de nosso próprio filme, a cada dia nos são disponibilizadas novas chances de retomar a cena, para concertar os erros, a fim de nos sentirmos realizados e sermos felizes.
Você já experimentou fazer algo que nunca fez? Tomou uma atitude que fugiu de toda a realidade que lhe cerca? É difícil, certamente. Mas somente a partir do momento em que nos propomos a fazer algo novo é que teremos algo novo e menos acomodado em nossas vidas.
Bem senhores, se desejam saber se estou fazendo algo diferente. Digo-lhes, convicta: SIM. E falo mais, melhor do que você tentar algo novo, é ver resultados diferentes, vivenciar experiências diferentes que somente nos enriquece social, psicológica e afetivamente. Tentem, lhes garanto que vai ser no mínimo diferente e viver sempre na mesma, não dá. Fica a dica.